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Novo Acordo Mercosul–União Europeia: oportunidades estratégicas para empresas do Centro‑Oeste do Brasil

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    União Auditores
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura


Após mais de 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou, em 2026, em sua fase mais decisiva. Considerado um dos maiores acordos comerciais do mundo, ele cria uma área econômica que reúne cerca de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, redesenhando fluxos globais de comércio, investimento e cadeias produtivas.

Para o Brasil, e em especial para o Centro‑Oeste, o acordo representa uma janela histórica de crescimento, diversificação de mercados e aumento de competitividade internacional. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal tendem a estar entre os maiores beneficiados, dada sua forte vocação exportadora e integração com o agronegócio, energia e logística.

O que muda com o acordo Mercosul–União Europeia

O acordo prevê a eliminação ou redução gradual de tarifas sobre mais de 90% dos bens comercializados entre os dois blocos. Do lado europeu, a grande maioria das importações provenientes do Mercosul terá tarifas eliminadas em prazos que variam de imediato até cerca de 12 anos. Já o Mercosul terá um período mais longo, de até 15 anos, para reduzir tarifas sobre produtos europeus, o que cria uma transição mais equilibrada para as economias sul‑americanas.

Além da redução tarifária, o tratado avança em temas estratégicos como:

  • facilitação de comércio e regras de origem;

  • serviços e investimentos;

  • compras públicas;

  • propriedade intelectual;

  • compromissos ambientais e climáticos.

Na prática, isso significa maior previsibilidade regulatória, redução de custos de acesso a mercados e um ambiente mais favorável para decisões de investimento de médio e longo prazo.

Por que o Centro‑Oeste é um dos grandes ganhadores

O Centro‑Oeste brasileiro aparece como uma das regiões com maior potencial de ganhos com o acordo, especialmente por sua base produtiva voltada ao agronegócio e à exportação de commodities.

1. Agronegócio e agroindústria

O acordo amplia o acesso ao mercado europeu para produtos estratégicos da região, como:

  • soja e derivados;

  • carnes bovina, suína e de aves;

  • milho e outros grãos;

  • açúcar e etanol.

A existência de cotas com tarifas reduzidas ou zeradas para diversos desses produtos tende a aumentar a competitividade do produtor brasileiro em um mercado de alto poder aquisitivo, estimulando tanto o aumento de volume quanto a agregação de valor.

2. Bioenergia e transição energética

O Centro‑Oeste também se beneficia no setor de bioenergia. A crescente demanda europeia por fontes renováveis abre espaço para o etanol brasileiro, especialmente para uso industrial, além de outras soluções ligadas à economia de baixo carbono. Isso cria oportunidades de contratos de longo prazo, investimentos e parcerias internacionais.

3. Logística, infraestrutura e serviços

O crescimento do comércio exterior tende a impulsionar investimentos em:

  • logística e transporte;

  • armazenagem e terminais;

  • soluções multimodais;

  • serviços financeiros, jurídicos, tributários e de compliance ligados ao comércio internacional.

Mesmo empresas que não exportam diretamente podem se beneficiar ao atuar como fornecedoras ou prestadoras de serviços para cadeias exportadoras.

Novas exigências: desafio e vantagem competitiva

Apesar dos benefícios, o acordo também eleva o nível de exigência para acessar o mercado europeu. As regras ambientais e sanitárias são rigorosas e vinculantes, exigindo rastreabilidade, controle de origem e conformidade com padrões de sustentabilidade.

Para as empresas do Centro‑Oeste, isso implica:

  • investimentos em governança e compliance ambiental;

  • adoção de sistemas de rastreabilidade;

  • maior profissionalização da gestão.

Ao mesmo tempo, quem se adaptar mais rapidamente tende a conquistar vantagem competitiva não apenas na Europa, mas também em outros mercados internacionais que seguem padrões semelhantes.

O que ainda falta para o acordo entrar plenamente em vigor

Embora o acordo tenha avançado significativamente, ele ainda depende de etapas finais para sua implementação completa. Entre os principais pontos pendentes estão:

  • a aprovação definitiva pelo Parlamento Europeu;

  • a ratificação, por alguns países da União Europeia, das partes do acordo que vão além da política comercial;

  • a conclusão do processo de aprovação no Congresso Nacional brasileiro.

Enquanto essas etapas são cumpridas, discute‑se a aplicação provisória da parte comercial do acordo, o que permitiria antecipar parte dos benefícios antes da entrada em vigor total.

Conclusão

O acordo Mercosul–União Europeia representa uma mudança estrutural na inserção internacional do Brasil. Para o Centro‑Oeste, ele abre oportunidades concretas de expansão de mercados, atração de investimentos e fortalecimento de sua posição como polo global de alimentos, bioenergia e produção sustentável.

O principal desafio está na preparação. As empresas que se anteciparem, investirem em conformidade e ajustarem suas estratégias estarão melhor posicionadas para capturar os ganhos desse novo cenário e transformar o acordo em vantagem competitiva de longo prazo.


Entre em Contato

Se você tiver alguma dúvida ou precisar de mais informações sobre o acordo, entre em contato conosco. Nossa equipe está pronta para ajudar e fornecer todas as orientações necessárias para sua empresa!

 
 
 

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